Desinteresse, alheamento e afastamento. Qualquer um destes adjectivos serve na perfeição para caracterizar os jovens em relação à política nacional. Por não se sentirem representados pelos partidos ou por se acomodarem à condição social e económica em que vivem, são muitos os jovens que actualmente não têm uma participação cívica activa ou não fazem valer os seus interesses. Neste panorama de descredibilização política há, contudo, um caminho que os jovens mais inconformados decidem adoptar para mudar o rumo do país: as Juventudes Partidárias.
Ora colam cartazes pelos grandes centros urbanos, ora distribuem informações à entrada das universidades, ora organizam palestras de esclarecimento. Os membros das estruturas políticas jovens tentam deixar a sua marca em sítios estratégicos, para captar a atenção de estudantes, jovens desempregados ou estagiários a laborar em trabalhos precários. As acções são várias e feitas de variadas formas, mais ou menos frequentes conforme os moldes que regem cada uma. JCP, JP, JS e JSD seguem ideologias diferentes, mas procuram um objectivo comum. Encontrar soluções para ultrapassar os problemas dos mais novos é o desafio a que Francisca Goulart (JCP), Sérgio Lopes (JP), Pedro Sousa (JS) e Carlos Eduardo Reis (JSD) se propuseram quando entraram nas respectivas Juventudes Partidárias. A liderar estas estruturas no distrito de Braga, estes são jovens que não ficaram sentados no sofá à espera da mudança. Motivados pela família, incentivados pelos amigos ou simplesmente por auto-consciência de que o país precisava de ideias novas para contornar a crise, estes representantes explicaram ao “Juventudes Partidárias”, numa grande reportagem, o seu percurso até chegarem às Jotas e todas as responsabilidades, dificuldades e motivações que foram caracterizando esse caminho. Também o Bloco de Esquerda (BE) está representado neste leque de partidos com presenças jovens. Apesar de duvidarem do papel das Juventudes Partidárias, a estrutura que o partido apresenta demonstra o espírito moderno que habitualmente tentam transparecer para a esfera pública. Ana Bárbara é a coordenadora do BE de Braga e, para defender os interesses dos jovens, considerou que não seria necessário estar envolvida numa Jota. Não entende a divisão etária dos assuntos da agenda política e, para a militante do BE, estas estruturas são “escolinhas para aprender a fazer política”.
E não é a única a pensar dessa forma. José Soeiro, deputado do BE, Carlos Gonçalves, aluno da Universidade do Minho e Rita Araújo, investigadora na mesma academia admitiram duvidar do papel destas estruturas, identificando-as como uma escadaria para subir no mundo político, assumindo-se como anti-jotas.
Este foi mesmo um dos assuntos discutidos entre os representantes. Num momento de confrontação ideológica à volta do que pensam ser o papel das estruturas que representam, os cinco líderes debateram na RUM a convite do “Juventudes Partidárias”. Também a importância dos jovens na política e a defesa das Jotas como meio de aprendizagem foram pontos altos do debate.
Neste sentido, decidimos também ouvir a voz dos mais experientes. Jerónimo de Sousa, Nuno Melo, Pedro Soares, António José Seguro, Francisco Louçã e Augusto Santos Silva responderam a cinco perguntas-tipo sobre qual é o papel que desempenham as Juventudes Partidárias no actual contexto político. Apesar de apresentarem perspectivas diferentes, os factos são incontestáveis. Se as Jotas são um meio de luta para melhorar a condição social e económica do país, estas são também formas de ascensão rápida no sistema político. Para explorar este facto, o “Juventudes Partidárias” esteve à conversa com Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Ricardo Mendes, vereador pelo CDS da Câmara de Famalicão, exemplos de ex-jotas de sucesso.
Mas nem só ideias se faz a política, principalmente em alturas de campanha. As Jotas são a prova disso. Abanar bandeiras, distribuir autocolantes, camisolas e chapéus surtiram efeitos positivos em noite eleitoral. As Jotas foram fundamentais em altura de eleições. Não pararam durante as campanhas e seguiram os seus representantes do norte ao sul do país, dinamizando os vários pontos que iam passando. De forma diferente, mas com um espírito igualmente efusivo, também há alguns anos atrás vários jovens defendiam ideologias políticas. À conversa com antigos jovens activos no período do PREC, o “Juventudes Partidárias” percebeu que existem ainda histórias por contar desse período caracterizado pela instabilidade política.
Actualmente, perante outra crise política, o professor de Ciência Política da Universidade do Minho, José Palmeira, considera que a via do alheamento não é a solução para resolver os problemas. Numa entrevista alargada, o professor apresenta duas alternativas para os jovens que não se sentem representados: a integração em partidos para tornar a actividade política mais aliciante ou, por outro lado, os próprios jovens criarem partidos que defendam os seus interesses.

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