Ex-jotas de sucesso

Das Jotas aos partidos

Jovens atentos que se tornaram políticos de sucesso

O rumo do país foi desde sempre uma questão que preocupou os portugueses. Foram vários os momentos da história em que Portugal viveu mergulhado em situações de debilidade económica, social e política. De forma mais ou menos expressiva, desde a altura do PREC, e até mesmo ainda em regime de ditadura, existiram sempre cidadãos que tentaram inverter a condição do país. Cidadãos revolucionários, inconformados e participativos na vida cívica. Cidadãos que faziam política dos pequeninos, mas que agora conduzem o destino de Portugal com os grandes. Com os mestres da política.

A consciência de responsabilidade social, de garantir os recursos necessários para uma boa qualidade de vida e de encontrar soluções para contornar os problemas que o país encontrou ao longo dos anos não é recente. Casas destruídas, fábricas invadidas, herdades roubadas e o caos em várias instituições descrevem um dos períodos de maior controvérsia a nível nacional desde que a ditadura de Salazar caiu: o PREC. Sem perspectivas de melhoria face à realidade que viviam, cidadãos sem conta despertaram as suas consciências para a intervenção política a partir desse período. Em vários pontos do país, os muros eram decorados com mensagens de contestação, as ruas enchiam-se de pessoas insatisfeitas e não eram precisos megafones para se ouvirem os gritos de protesto. Novos e velhos reclamavam melhores condições de vida.

É neste panorama de instabilidade que surgem as Juventudes Partidárias, comoPaulo Portas, líder do CDS-PP forma de consciencializar os partidos para os problemas que preocupavam os jovens. Aos doze anos, Paulo Portas, uma das figuras mais emblemáticas da política nacional, já fazia parte deste grupo de inconformados que queriam mudar Portugal. Ter visto “o país num caos” e a “tradição política familiar”, foram, segundo Paulo Portas, razões fortes que o conduziram para o mundo político. Aliado a estes factores, sublinha um outro que considera ainda mais forte: ”a admiração pelo Dr. Sá Carneiro”. Para o actual líder do CDS-PP, Sá Carneiro “era aquele político que na altura do PREC tinha mais sentido de nação, mais carisma, que falava mais verdade”. A convicção de que esta figura era aquela a quem deveria dar apoio para mudar o estado em que se encontrava o país, fez Paulo Portas ingressar na Juventude Social Democrata. Os seus colegas de partido, Telmo Correia e Durval Ferreira, acabaram por ser também motivados pela agitação do PREC, mas decidiram ingressar na então Juventude Centrista.

 

Pedro Passos Coelho, primeiro-ministroDefender os jovens e o país também foi sempre uma das preocupações de Pedro Passos Coelho. Ligado muitos anos à Juventude Social Democrata (JSD), o líder do PSD encontrou naquela estrutura política jovem “uma organização empenhada em discutir os problemas dos jovens e do país em geral”. A escolha desta cor partidária não foi, contudo, espontânea. Tal como Paulo Portas, o líder do PSD tinha também uma admiração por Sá Carneiro e pela ideologia que defendia. Somando a preocupação com país à idolatria pelo já ex-primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho considerou, então, que a entrada na JSD seria a forma de poder “estar com pessoas que comungam dessas preocupações e queiram organizar pensamento e trabalho para poder ajudar a mudar as coisas”. Nunca pensou, no entanto, chegar um dia a ocupar o lugar de primeiro-ministro : 

E mudar parece ser a palavra de ordem para quem entra neste mundo deRicardo Mendes, vereador na Câmara de V.N.Famalicão discussão, de esclarecimentos, de ideias e confrontos ideológicos. No entanto, nem só da vontade de mudar nasce o gosto por este caminho. Ricardo Mendes foi dirigente nacional da então chamada Juventude Centrista (actualmente, Juventude Popular) e, para ele, ingressar numa estrutura partidária foi a consequência “ do momento de discussão política que se vivia nas academias” portuguesas. Foi aos 19 anos, atraído pelo “bichinho de centro direita por influência familiar”, como esclarece, que Ricardo Mendes entrou para a organização de jovens que defende as ideologias do CDS-PP. Para o também ex-dirigente distrital da concelhia da JP, foi aqui que encontrou “pessoas que pensam e reagem de formas similares ou complementares” aos seus ideais.

De jotas a mestres é um pequeno passo

A defesa por uma sociedade democrática e justa seriam suficientes para mostrar que estes três nomes do sistema político português têm algo em comum. Mas a verdade é que as Juventudes Partidárias proporcionaram a Paulo Portas, Pedro Passos Coelho e Ricardo Mendes mais do que um espaço de reflexão e uma forma de lutar pelos interesses dos jovens. As Jotas representaram ascensão no mundo político. De jovens clandestinos que iam reclamando direitos, passaram a homens que tentam levantar os ânimos dos portugueses. Já não são aqueles que tratam dos assuntos dos mais novos, da geração dita à rasca. Agora tratam das questões da sociedade em geral, aquela que tem de se desenrascar para garantir as condições mínimas de sobrevivência.

Desejadas ou odiadas, estas são figuras bem conhecidas dos portugueses. Já não falámos do anónimo Paulo Portas ,que lutava contra o caos instalado no PREC. Estamos actualmente perante o ex-membro da JSD, que se tornou líder do CDS que, por sua vez, conseguiu a confiança de uma fatia expressiva da sociedade e vai governar Portugal com o ex-líder da JSD, que se tornou líder do PSD e que, por consequência do resultado das eleições legislativas, é o novo primeiro-ministro de Portugal. Ricardo Mendes não figura nos nomes que vão estar à frente do país nos próximos quatro anos, mas os cargos passados de dirigente nacional e distrital da concelhia da Juventude Popular e, actualmente, de vereador Câmara de Famalicão com vários pelouros também não escondem o percurso de sucesso no sistema político. Ricardo Mendes admite que a JP “obviamente teve o seu impacto, porque se fosse um desconhecido do CDS-PP” não o indicavam. Apesar de partilharem a mesma ideologia, Paulo Portas apresenta uma versão mais moderada do assunto. Sem qualquer hesitação, o ministro dos Negócios Estrangeiros vê o seu partido como um conjunto de pessoas que não vivem da política e que têm uma profissão. Para Paulo Portas esta é uma atitude de “grande valor nos dias que correm, porque as pessoas que se tornam dependentes da política, fazem o que for preciso para sobreviver da política”. Objectivos por cumprir? Portas diz que são muitos: 

Percurso diferente tem o actual primeiro-ministro. Com 36 anos de idade concluiu o curso de Economia. Agora, com 46, já tem trinta anos de carreira política, com mais quatro à vista para preencher. Ainda é incerto o rumo que vai dar ao país o primeiro-ministro que, nestas eleições, se assumiu como “o mais africano de todos os candidatos”. A maior certeza é que ele será o próximo mestre da política de Portugal. Será um ex-jota, que substituirá um ex-jota e que governará ao lado de um ex-jota. Serão as Juventudes uma forma de chegar ao poder? Os protagonistas dizem que não, mas os factos respondem positivamente à questão.

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