Representantes

Juventudes Partidárias não significam para toda a gente um espaço de reflexão política e de luta pelos direitos dos mais novos. Mesmo para alguns daqueles que estão integrados neste mundo ainda antes de terem atingido a maioridade, estas estruturas políticas eram dispensáveis, como defende Ana Bárbara, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) de Braga. Num debate realizado na Rádio Universitária do Minho, organizado pela nossa equipa, Ana estava sozinha a defender uma posição depreciativa em relação ao papel das jotas. Por sua vez, os representantes da JS, JSD, JP e PCP não pouparam elogios às estruturas que lideram e, confrontados com as críticas de que as jotas são vistas como uma forma de chegar ao poder, Pedro Sousa e Carlos Eduardo Reis partilharam da opinião de que só chega mais alto quem está mais bem preparado. Embora em altura de eleições legislativas, este foi um debate pacífico, sem troca de acusações e picardias partidárias.

Ouça abaixo a reportagem do debate:

Ouça aqui a versão integral do debate:

Para saber mais sobre os representantes que participaram no debate, consulte os seus perfis abaixo.

Francisca Goulart é a voz da Juventude Comunista Portuguesa bracarense

 Jovem multifacetada com ambição de mudar o paísFrancisca Goulart, membro da Juventude Comunista Portuguesa

É dinâmica, faladora e muito sorridente. Tem 19 anos, estuda Psicologia na Universidade do Minho e é com esse curso que concilia a sua intervenção na vida política. Mas nem sempre foi esse o percurso profissional que pensou seguir. A descontracção e simplicidade que a caracterizam levaram a que, quando era mais nova, pensasse em fazer do teatro a sua carreira. Fez dois anos de teatro amador e um curso de iniciação no Porto, mas a família desmotivou-a dessa vontade. Francisca descreve-se “como uma pessoa de diversas aspirações” e, apesar de estudar Psicologia, um dia pensa retomar o teatro enquanto uma vertente amadora da sua vida.

Mas o lado artístico da jovem não se prende só com a representação. Gosta de escrever e cantar e até já teve uma banda de música tradicional portuguesa, onde era ela quem escrevia as letras para mais tarde as interpretar.

Nota-se, pelo seu percurso, que sempre teve vontade de estar ligada a actividades que envolvessem o público. Tiago Mirrel, amigo de Francisca, também confirma a desinibição da jovem perante as audiências. Sublinha, ainda, que a estudante de Psicologia é “uma pessoa de grande compreensão, grande abertura e sensibilidade com os outros”. Como actriz, cantora, escritora ou psicóloga, Francisca faz questão de estar perto da sociedade. E foi essa vontade de nunca se esquecer dos que a rodeiam que a levou, muito cedo, a ingressar no mundo da política. Tiago Mirrel, desde que conhece Francisca, a vê como “uma pessoa cativante e que marca pela sua determinação nas temáticas que defende”.

Desde muito nova que sentia necessidade de interagir na sociedade e reclamar pelas injustiças que via à sua volta. Já no ensino básico tinha o ímpeto de falar, de discutir e de impor a sua posição quer fosse pelo que estavam a fazer ao seu colega quer pelo aumento da senha da cantina. Foi então aos 15 anos que se envolveu mais e decidiu então entrar para a Juventude Comunista Portuguesa (JCP). A ligação ao Partido Comunista era já uma tradição na sua família, sendo que o seu avô era militante, e as discussões políticas sempre estiveram presentes do seio familiar.

Para a estudante de Psicologia fazer parte da JCP é uma forma de estar e participar na vida. Acredita que este é o partido com maior actividade e que mais luta pelos interesses da população e dos jovens. Recusa afirmar-se como “representante” da JCP – representa apenas o que o colectivo reflecte, defendendo que todos os militantes da JCP podem ser representantes.

Na Universidade do Minho também faz questão de deixar a sua marca e não passa ao lado dos problemas. Decidiu fazer parte do Elo Estudantil, considerando ser uma forma mais directa de intervir nas dificuldades dos estudantes e da academia.

Pedro Sousa dá a cara pela Juventude Socialista em Braga

Advogado por formação, político por vocação

Pedro Sousa, líder da JS BragaTem 28 anos e atitude de líder. É o próprio Pedro Sousa que se define nestes moldes. Numa simples conversa percebem-se as suas capacidades de chefia e o seu à vontade na condução de uma conversa. É um comunicador nato e, por isso, consegue orientar os temas para os objectivos que mais lhe agradam. Estas aptidões – bastante úteis no mundo da política – conseguem-se com a experiência e esta não falta a Pedro Sousa.

É finalista de Direito na Universidade do Minho e, apesar de ser um curso que lhe agrade, não pretende fazer dele o seu futuro profissional. A ligação desde os 16 anos à política fez o jovem apaixonar-se por esta área e ambicionar que o seu progresso profissional enveredasse neste sentido. Desde muito novo que mostrou interesse na participação associativa, tendo já somado o cargo de presidente de uma associação de estudantes no ensino básico, de presidente de uma comissão instaladora de uma associação de estudantes na escola Carlos Amarante e, também, vice-presidente para o Departamento Pedagógico da AAUM. Para Pedro Sousa, é um orgulho e responsabilidade muito grande, desde muito jovem ser o porta-voz do sentimento e das preocupações dos outros.  Quem reforça esta ideia é o amigo de infância Tiago Corais, que define Pedro Sousa como uma pessoa com “um espírito de missão muito grande, algo indispensável para o exercício de cargos públicos e políticos”. Salienta ainda o facto do jovem político “gostar de ajudar as pessoas e não desistir à primeira dificuldade”.

Este sentido de responsabilidade levou a que Pedro decidisse ingressar numa jota para que, de uma forma mais precisa, conseguisse defender os interesses dos jovens. Escolheu então a Juventude Socialista (JS), mas de uma forma muito consciente. Inserido numa família muito ligada à esquerda, não foi apenas esse factor que levou Pedro a optar por se inserir na JS. Antes da tomada de decisão, houve um processo de maturação ideológica, que passou pela leitura depurada dos programas políticos, as ideias programáticas e princípios que caracterizam os diferentes partidos, no sentido de perceber com a qual sentia mais afinidade.

Mas não só de política vive o jovem. Com um carácter muito energético e dinâmico Pedro tem outras actividades paralelas à vida política. Gosta de correr, joga futebol regularmente e adora jogar futsal. É adepto fervoroso do Sporting Clube de Braga e, por isso, faz questão de o acompanhar em todas as ocasiões. Desde miúdo que a leitura também faz parte dos seus hobbies, de forma muito expressiva, confessando-se um viciado. Pedro Sousa é “ambicioso, competitivo e culto”, segundo o amigo de infância. E é este espírito de liderança “e de todos os dias superar-se a si próprio”, como refere Tiago, que tem feito dele um jovem com sucesso.

Ana Bárbara Pedrosa, representante do partido sem Jota

“Não via outro caminho senão enveredar pela política”

Ana Bárbara Pedrosa, representante do Bloco de EsquerdaEstuda Línguas Aplicadas na Universidade do Minho, mas a sua vida não passa apenas pela academia. Com uma ligação muito vincada à política, Ana Bárbara assume actualmente variadas funções neste âmbito. No Bloco de Esquerda (BE), é coordenadora distrital de Braga e é responsável pelo sector estudantil do distrito, assim como lhe compete a função de coordenadora da concelhia de Guimarães. Acrescenta, ainda, a estes cargos o de representante do distrito de Braga na comissão Nacional de ambiente e assessoria de imprensa do BE nas legislativas.

De uma família relativamente politizada, simpatizante do PCP, onde ouvia falar de proletariado e burguesia ao jantar, Ana Bárbara, desde muito cedo, começou a ler obras relacionadas a Marx e até mesmo o manifesto comunista, tomando consciência dos problemas e da forma como gostava de mudar a sociedade. Admitindo que “não via outro caminho senão enveredar pela política”, a jovem afirma que, se não estivesse ligada a este meio, sentir-se-ia “responsável pelos problemas que vê no dia-a-dia”. Assim, com treze anos, tentou entrar para o BE, mas como o partido não tem Jota, viu essa vontade negada. Então, foi apenas quando tirou o Cartão de Eleitor, aos 18 anos, que conseguiu concretizar o desejo se inscrever no BE.

Dinâmica e determinada, Ana Bárbara desde nova teve noção do caminho que queria traçar. A preocupação com os problemas sociais que a rodeavam, tanto na escola como nas ruas, motivaram a sua entrada para estruturas em que pudesse fazer valer os seus pontos de vistas e tentar pô-los em prática. “Activa em muitas coisas” ligadas ao BE, como a própria reconhece, o tempo acaba por escassear e a conciliação com o curso de Línguas Aplicadas torna-se difícil, mas não impossível.

Para Ana Bárbara existem outros aspectos que são mais difíceis de lidar na sua vida. Inconformada com a homofobia, racismo ou até privatizações, a jovem política não consegue manter relações com pessoas que possuam ou defendam estas características. Assim, a forma mais simples que Ana Bárbara encontra para manter uma conversa com alguém, com ideais contrários aos seus, passa pela ironia. Ou então por uma irritação e explosão de sentimentos que não terminam pacificamente.

Apesar de muito efusiva e convicta em relação à sua ideologia, a estudante de LA não vê o seu futuro passar por uma carreira política. Por detrás de uma guerreira, está uma jovem ligada à literatura, a um mundo mais sensível e da imaginação, com a ambição de ser escritora.

Carlos Eduardo Reis é o responsável pela JSD Braga

Jovem irreverente é político responsável

Tem 27 anos, mas o percurso de Carlos Eduardo Reis já conta, desde jovem,Carlos Eduardo Reis, líder da JSD Braga com muitos sucessos e vitórias para cargos de liderança. Formado em Direito na Universidade Católica do Porto e especializado em Contratação Pública, foi na academia nortenha que ganhou experiência de cariz político, através da presidência da associação de estudantes, que o fez evoluir neste ramo. Após um convite para o cargo de chefia do Gabinete de Estudos de Braga seguiu-se, passado um ano e seis meses, a presidência da Juventude Socialista Democrática do distrito de Braga. A evolução foi rápida e Carlos Eduardo Reis ia, assim, acrescentando cargos ao seu currículo.

Empreendedor e determinado, o jovem advogado não quis parar por aí. Mostrando uma vontade insaciável pela evolução pessoal, o jovem, que faz jurisconsultadoria, conta ainda na sua vida com duas empresas – uma ligada à área do ambiente e outra relacionada com as novas tecnologias. Áreas distintas que fazem de Carlos uma pessoa multifacetada e com o espírito certo para o crescimento do país.

A capacidade de organização e de gerir várias estruturas e trabalhos ao mesmo tempo são traços fortes que o caracterizam e são capacidades que foi adquirindo gradualmente, ao longo da sua vida. Mas a carreira política do dirigente distrital da JSD não nasceu tão espontaneamente. Aos quatro anos, Carlos Eduardo Reis afirma que “já abanava bandeiras com o pai” e, mais tarde, já “sabia a ideologia toda de Direita” que o conduziu a um apreço mais significativo pelo primado da iniciativa privada.

Carlos parece não dominar apenas a gestão de empresas e estruturas políticas, mas demonstra também grande capacidade para gerir o tempo. Com um aglomerado de tarefas a que tem de dar resposta, o jovem social-democrata ainda consegue encontrar espaço para deixar a camisa e calça vincada e gozar algumas das suas actividades predilectas. Cinema ou leitura de biografias e assuntos sobre “máfia” preenchem as necessidades culturais e de desenvolvimento do intelecto de Carlos. Mas não são suficientes. O conservadorismo, a responsabilidade e os compromissos não fazem parte do dicionário do jovem político nos tempos livres. A personagem é outra. Rebelde, aventureiro e ousado. Apaixonado por velocidade, carros, motos e viagens. Este é o Carlos Eduardo Reis, despido do papel de líder.

Sérgio Lopes, criador da distrital de Braga da Juventude Popular

Vida absorvida pela política

Sérgio Lopes, líder da distrital de Braga da Juventude Popular

É finalista de Engenharia Informática no Instituto Politécnico do Porto. O gosto pela informática faz com que Sérgio mantenha já uma ligação profissional a esta área. É à política, contudo, que dedica a maior parte do tempo da sua vida. Tem 25 anos e foi já há dez que descobriu esta vontade de lutar pelos interesses dos cidadãos e, a partir daí, não parou mais. Criou a Juventude Popular (JP) em Braga e é, por isso, muito admirado e valorizado pelos seus colegas de partido. Conhecido por “Sérginho” nesta que considera ser uma família, tem lutado para que o CDS-PP seja cada vez mais forte e unido.

É divertido, sorridente e sociável e essas características fazem com que tenha sempre muita gente à volta dele. Faz amigos facilmente e “o seu espírito de liderança leva a que muita gente o queira seguir”, afirma a mãe Lélia Lopes.

Esta vontade de estar mais perto das pessoas fez com que, aos 16 anos, Sérgio descobrisse este interesse pela política. Foi presidente da associação de estudantes no ensino secundário e na universidade e, através dos Conselhos Municipais da Juventude – órgão que permitia a grupos/associações de jovens apresentares ideias, sugestões e preocupações – percebeu que era possível melhorar a qualidade de vida das pessoas. O salto para uma jota foi rápido e pequeno e, depois de algumas pesquisas na internet sobre as diferentes ideologias de cada uma, percebeu que era na Juventude Popular que devia ingressar. Actualmente, além da política, continua ligado a cargos dirigentes na universidade onde é presidente da Assembleia-geral.

Sérgio gere 14 concelhos e assegura que é um orgulho ser dirigente da distrital da JP. “É responsável e muito certinho e isso faz dele um jovem exemplar”, afirma Sara Meneses, amiga de infância. Contudo, confessa também que Sérgio é “obsessivo” no que diz respeito à política e que qualquer conversa acaba sempre no mesmo assunto.

Todas estas tarefas fazem com que o tempo se torne pouco para alguns hobbies. Sérgio assume mesmo que a política é o seu hobby, uma vez que não faz disso a sua profissão. O grupo coeso de amigos que criou dentro do partido também ajuda a que o jovem passe o tempo de uma forma mais enérgica e fugaz, fazendo com que até os momentos de trabalho se tornem em momentos de companheirismo, aprendizagem e partilha.

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2 responses to “Representantes

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